A poesia pode ter milhares de formas. Milhares de cores. Pode ser negra como o estado de espírito, verde como a vontade, dourada como a magia ou vermelha como o sangue. Pode ser lida ou cantada, lenta e erótica, veloz e arrasadora. Mas pode também não ser nada. Apaixonadamente, nada.

domingo, abril 10, 2005

Azul

Sinto os batimentos apressados
Das convulsões vulcânicas
Do meu sangue.
Um vento de eternidade
Que se entrelaça nos meus dedos.
Imagino dias sem dor,
Sem espasmos,
Na ressaca desta viagem sem fim,
Na inferioridade
Deste corpo azul.
Descubro os teus faróis
Na escuridão dos pirilampos,
Mosquitos esmagados a 100 à hora,
O roncar do motor velho
E moribundo.
Cresço por ti, portas abertas,
Seios a descoberto,
Violento na intimidade,
Dorido no rasgar das roupas.
Fecho os olhos e invento
Palavras para te dizer,
Para que te amem por mim,
Enquanto não chego à explosão
Nos teus olhos vermelhos.
Encanto-me com a dissolução
Dos pedaços de pele,
Da alma sem vontade,
Do sangue que escorre
Do ventre que esmago.