A poesia pode ter milhares de formas. Milhares de cores. Pode ser negra como o estado de espírito, verde como a vontade, dourada como a magia ou vermelha como o sangue. Pode ser lida ou cantada, lenta e erótica, veloz e arrasadora. Mas pode também não ser nada. Apaixonadamente, nada.

domingo, abril 10, 2005

Desenho a carvão

Encontrei um velho a pedir esmola,
Um espelho de alguém que nunca vi,
Roto nos cotovelos,
E de voz desgravada em pedaços de iogurte.
Pediu-me uma moeda, um xelim, um troco,
Lacrimejou uma brisa e morreu ali mesmo,
Podre por dentro.
Desenhei-o a carvão num bloco de notas,
De boca aberta de lixeira ao ar livre
E adormeci
Quente na cama
Dos lençóis do Pato Donald.