A poesia pode ter milhares de formas. Milhares de cores. Pode ser negra como o estado de espírito, verde como a vontade, dourada como a magia ou vermelha como o sangue. Pode ser lida ou cantada, lenta e erótica, veloz e arrasadora. Mas pode também não ser nada. Apaixonadamente, nada.

domingo, abril 10, 2005

Musa de uma poesia

Construo momentos e sonhos na areia molhada,
Esquecida entre os dedos e tomada como essência,
Implorando um sopro de vida na maré espumada
Que vem dos confins do Éden pelos mares da existência.

Molho os dedos no sal, alicerce das suas curvas,
Numa viagem pelo tempo entre hipóteses e teorias,
Como alquimista que transforma em ouro águas turvas
E do carvão faz diamantes, da musa belas poesias...

Moldo-te como se seguisse alguma imagem instintiva,
Desenhada desde cedo nas areias movediças da mente.
Alguma luxúria inconsciente que apenas me incentiva
A navegar como um estranho por entre estranha gente...

Mas sou aquilo que sou, uma poesia sem rima,
Um verso encantado pela musa, passado sem presente.
Vaguearei pela areia à procura do norte que me anima,
Da filha do Sol, de uma estrela polar que invente...

Criarei novos mundos e a ti dar-te-ei a vida,
Moldada pelas minhas mãos, pela minha pouca arte.
E amar-te-ei com as carícias de uma mão perdida
Pelos retalhos de pele, pela areia, por toda a parte...

Adormecerei a esta estátua de amor agarrado,
Acariciado nos seus braços pela brisa deste mar,
E nas preces pedirei um sopro de vida e um fado
Que a arranque das raízes e me embriague com o andar...