A poesia pode ter milhares de formas. Milhares de cores. Pode ser negra como o estado de espírito, verde como a vontade, dourada como a magia ou vermelha como o sangue. Pode ser lida ou cantada, lenta e erótica, veloz e arrasadora. Mas pode também não ser nada. Apaixonadamente, nada.

segunda-feira, abril 11, 2005

Nada

Sei que não existes,
Que és nada,
Só isso, nada.
Nada mais,
Pouco menos,
Uma invocação,
Um desejo,
Um corpo moldado
Como barro imaginário.
Uns lábios na penumbra,
Um ventre por debaixo dos lençóis.
Se não existes,
Estou salvo.
Se sou um assassino
E matei por ciúme,
O meu crime
Não é mais crime,
E a minha arma,
Afundada num rio,
Lavou-se
Das impressões digitais.