A poesia pode ter milhares de formas. Milhares de cores. Pode ser negra como o estado de espírito, verde como a vontade, dourada como a magia ou vermelha como o sangue. Pode ser lida ou cantada, lenta e erótica, veloz e arrasadora. Mas pode também não ser nada. Apaixonadamente, nada.

segunda-feira, abril 11, 2005

Túnel

Olha, vês?
Ouve-me, estás a ver?
Que luz é aquela
Ao fundo do túnel?
Que brilho, vês?
Será que morri?
Será que não posso
Voltar para trás?
Dizer-te tudo
O que não disse?
Aquilo que querias ouvir
(Mesmo que fosse mentira),
Aquilo que me pediste
(Mesmo que não por palavras),
O que tanto desejaste?
Será que posso inventar
Uma nova encruzilhada,
Outro destino?
Uma porta mágica
De desenho animado,
Uma máquina do tempo,
Qualquer coisa?
Posso mandar-te uma carta,
Se não for em pessoa?
Que voz é esta
Que me diz que não?
Quem és tu,
Mostra-te!
Vou gritar o que é da praxe
E, se não continuar,
Que saibam que morri.
Mas que luz
É esta?